Pequenas Igrejas, Grandes Negócios, Novo Jogo de Marcelo Del Debbio em Campanha no Catarse

Marcelo Del Debbio, o criador dos consagrados sistemas de RPG tradicional Arkanum e Trevas, continua na ativa e lança novo projeto, que mescla crítica e humor em um jogo para derrubar líderes religiosos 'fictícios' e acumular riquezas - Por Kao Tokio

Entre os apreciadores de jogos tradicionais como tabuleiro, cards e RPGs de mesa, o nome de Marcelo Del Debbio já bem é conhecido, em razão de criações de grande sucesso no país, como os sistemas de regras para jogos de interpretação Arkanum e Trevas, além de outros projetos do gênero. O autor, que é um dedicado pesquisador de temas relacionados a religião, mitologias, simbolismo, alquimia, hermetismo e rosacrucianismo, e ainda professor de historia da arte, continua realizando projetos de jogos, e está com uma campanha no sistema de financiamento coletivo Catarse para seu mais recente trabalho, Pequenas Igrejas, Grandes Negócios.

tabuleiro_PIGNTrata-se de um Cardgame de ficção científica ambientado em um mundo onde as igrejas evangélicas são usadas por pessoas trapaceiras e inescrupulosas para lavar dinheiro do crime, vender porcarias inúteis, explorar a boa fé de pessoas ignorantes e obter poder político. A descrição no Catarse observa, de forma irônica, que este universo ficcional é diferente do mundo em que vivemos, no qual as igrejas são apenas “centros comunitários de ajuda ao próximo, gerenciadas por baluartes do bom caratismo”.

A sátira aos padrões comportamentais questionáveis de muitas das denominações cristãs da atualidade continua na descrição dos módulos adicionais ao kit básico, “Oremos!”, “Ou dá, ou desce”, “Picaretas e Esquisotéricos” e “Vodu é pra Jacu”, previstos para serem lançados se a campanha atingir determinadas arrecadações acima do previsto. Os suplementos extras conterão 2 Pastores, 2 Igrejas e 28 Cartas de Ação, Ataque, Defesa, Picaretagens, Investimentos e outras surpresas, segundo Del Debbio.

As modalidades de financiamento sugeridas no Catarse também aludem a posições de destaque ocupadas por religiosos na estrutura social das igrejas, tais como Fiel, Obreiro, Missionário e Congregação, entre outras, com diferentes patamares de valor e recompensas exclusivas para cada nível de apoio financeiro.

Em PIGN, entre 2 a 7 jogadores (podendo ter até 11 jogadores com as expansões) poderão comandar, cada um, um Pastor e uma Igreja, que lhes darão poderes e recursos especiais, em uma disputa para ver quem consegue ficar mais rico e destruir a reputação dos outros pastores no menor tempo possível. “Ganha quem sobreviver com a reputação menos manchada no Dia do Arrebatamento”, explica o autor.

O Módulo Básico será constituído de 14 Pastores, 14 Igrejas, 28 Cartas de Ataque, 14 Cartas de Defesa, 06 Cartas de Picaretagens, 20 Cartas de Ações, 15 Cartas de Investimentos, 01 Carta de Apóstolo, 04 Cartas de Prisão, Laranja, Counters de Reputação, Macumbaria e Recursos. “Este é um projeto que já está sendo pensado há mais de 3 anos e é um universo de ficção científica completamente diferente”, brinca Marcelo Del Debbio, que acumula a experiência de mais de 40 títulos de RPG já lançados e é também autor da saudosa série RPGQuest. “Sou um ferrenho defensor do Estado Laico”, enfatizou ainda, o que justifica sua visão crítica da forma como algumas vertentes do cristianismo atuam no âmbito público e político no país.

Em uma conversa rápida pela rede com o criador,  o Play’n’Biz recebeu, em primeira mão, informações importantes sobre o projeto e a bem humorada opinião do artista sobre o tema do jogo. Abaixo, os principais trechos da entrevista:

PIGN central-dizimoPlay’n’Biz – De onde surgiu a ideia para PIGN?

Del Debbio – A ideia surgiu da piada pronta, que são esses pastores picaretas e suas novidades bizarras para arrancar dinheiro dos crentes. Uma vez, em uma roda de amigos, comentaram do “por que vocês não fazem um jogo sobre isso?” e ai, a ideia apareceu.

P’n’B PIGN é um projeto de jogo em cards em tempos de jogos digitais. Porque?

DD – Nada impede que ele seja transformado em digital depois, mas adotamos o formato de cartas porque somos oldschool, gostamos de RPGs de mesa e do bate papo entre amigos no bar.

P’n’B – O que mudou da concepção original até agora, ao longo desses anos?

DD – No início era para ser um “banco imobiliário”, mas logo decidimos que não seria nesse formato, porque juntar mais dinheiro seria algo que traria um sentido de “mais” agregado aos pastores picaretas, então acabamos optando por um formato que fosse o de “menos”, ou seja, os pastores e suas pilantragens destruiriam uns aos outros, para mostrar no nível subconsciente que isso não é um caminho.

P’n’B – Qual a sua opinião sobre religião, igrejas e fé popular?

DD – Adoro mitologias, histórias e simbolismo. Tenho especialização em historia da arte, semiótica e historia das religiões comparadas. Mas odeio gente que se aproveita da ignorância e da fé de pessoas pouco instruídas para explorá-las.

P’n’B – Acredita que esse projeto possa levantar a ira Divina ou, no mínimo, de seus ‘representantes comerciais’ no país?

DD – Espero que sim!!

P’n’B – Como está indo a campanha no Catarse?

DD – Arrecadamos a meta de 30k em 4 dias, e estamos agora rumo a 75k. Ainda faltam 15 dias e acredito que conseguiremos chegar a tudo o que propusemos dentro do jogo. A ferramenta do catarse é muito boa para permitir este tipo de projeto.

P’n’B – Você é conhecido pelo sistema Arkanum, de RPG, e por ser um dos colaboradores do mundo de Tormenta, entre outros projetos de jogos ligados aos livros de regras. Como é a migração para o formato de cardgame?

DD – O cardgame é apenas mais uma maneira de contar histórias. Sempre gostei da parte de regras e da matemática dos jogos, e foi um desafio manter um jogo que fosse essa zoação toda e ainda assim fosse algo que daria prazer a gamers sérios em jogar. Conseguimos um jogo que tem uma matemática muito bacana e jogabilidade excelente.

P’n’B – Há outros projetos de jogos de tabuleiros? E games, qual seu envolvimento com essa cultura?

DD – Nosso próximo projeto deve ser uma versão nova do RPGQuest, que é um jogo de miniaturas de papel e masmorras. Acho que os jogos de tabuleiro são uma versão mais facilitada dos RPGs, pois não exigem um grupo fixo nem muitos preparativos para jogar. É uma tendência natural quando você fica mais velho e com menos tempo nas mãos…

P’n’B – Alguma curiosidade adicional sobre o tema escolhido?

DD – O jogo PIGN foi realmente considerado “ficção científica” na Finlândia. Quando mostrei o projeto a amigos de outros países, eles simplesmente não conseguiram entender o conceito do jogo. Para eles, era completamente inverossímil pastores arrecadando salário e dinheiro de fieis, venda de porcarias religiosas daquele naipe (toalhinhas, canetas, tijolos, óleos ungidos…) e eles juravam que as noticias eram inventadas… alias, um dos charmes do jogo é que as noticias, por mais bizarras que sejam, são todas reais extraídas de jornais e sites confiáveis.

PIGN  Del DebbioO jogo arrecadou até o momento a expressiva quantia de R$ 49.525,00, quase o dobro do total pretendido inicialmente, mas o estúdio de Marcelo Del Debbio segue em campanha, como foi informado na entrevista, para conseguir chegar ao patamar de R$ 75.000,00, que permitirá  realizar o projeto com todas as expansões e todos os elementos surpresa idealizados ao longo dessa produção.

Portanto, se você se interessou pelo projeto e gostaria de ajudá-lo a alcançar a meta final, basta entrar no Catarse através do link http://catarse.me/pt/pign e escolher sua modalidade de colaborador. Restam ainda 13 dias até o encerramento da campanha.

Del Debbio tem fé que esta conquista será alcançada!

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

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