Site Upando oferece recursos para criar games em diversas plataformas e sistemas

Projeto paulistano já em operação oferece recursos diversos para todas as necessidades de criação de games, a partir da produção de outros profissionais e empresas - Por Kao Tokio

Os desenvolvedores de games não raro se deparam com problemas em inúmeras etapas da produção, do design de texturas à programação de elementos específicos, em razão da ausência de mão de obra qualificada, tempo para a criação ou situações inesperadas no processo de trabalho.

O site Upando, disponível para acesso na rede desde o último mês, vem com a proposta de oferecer a estes estúdios a oportunidade de otimizar seu trabalho e tempo de realização de projetos, utilizando-se de produções desenvolvidos por outros profissionais e disponibilizados em seu catálogo de recursos. O Play’n’Biz conversou com Carlos Almeida Jr., um dos fundadores do Upando, e ouviu detalhes sobre a forma de apresentação dos conteúdos oferecidos e o modelo de negócios idealizado para o projeto.

Imagem do Site

Interface do Site

Play’n’Biz – Como funciona o Upando? É um sistema de ajuda coletiva para a criação de games ou uma forma de distribuição de recursos criados por diversos profissionais em um único canal?

Carlos Almeida – Hoje em dia muito trabalho é desperdiçado desnecessariamente durante a criação de jogos eletrônicos. Alguns são abortados depois de anos de trabalho árduo perdendo-se praticamente tudo o que foi feito. Outros demandam a criação de centenas de recursos para que poucos deles sejam utilizados pela empresa no final, como efeitos sonoros por exemplo.
Por isso, os produtores costumam ter uma base de dados gigantesca que, na maior parte das vezes, nunca é utilizada. Esses recursos poderiam ajudar na criação de muitos outros jogos, reduzindo assim os altos custos que fazem com que a maioria deles não tenha lucro.
No Upando, pessoas e empresas podem disponibilizar gratuitamente ou vender esses recursos em conjunto com sua licença de utilização, que pode ser livre ou limitada. Desse modo conseguem recuperar parte do dinheiro gasto na produção ou lucrar com ela. É uma mistura de crowdsourcing com sharing economy, uma base de dados coletiva que permite o desenvolvimento da indústria criativa possibilitando que mais pessoas criem jogos e que esses tenham melhor qualidade e custo reduzido.

P’n’B – Como surgiu a ideia de criar esse ‘canal de conteúdo’ para games?

CA – Um dia enquanto trabalhava notei quão difícil era encontrar recursos digitais na internet. Percebi que muito dinheiro, tempo e potencial criativo eram perdidos em todo o mundo por isso. E não acontece só com games, mas com qualquer trabalho feito no computador.  Para criar incentivos para que mais pessoas distribuam o que fizeram e esse conteúdo não fique trancado entre paredes é que o Upando surgiu. Já a escolha do mercado de games foi por acreditar ser onde podemos causar o maior impacto positivo no curto prazo.

P’n’B – Como funcionam o oferecimento e a distribuição dos materiais disponíveis no site?

CA – O autor escolhe quais licenças quer oferecer para distribuir o conteúdo e o preço de cada uma. Há várias licenças livres como Creative Commons e Domínio Público, mas as principais são comerciais.
Nosso modelo atual é 70-30, 70% do dinheiro pago pelo produto vai para o criador do conteúdo e 30% para nós. Funciona de uma forma bem similar a App Store ou o Google Play. Por exemplo: Um artista cria um modelo em 3D e disponibiliza no site junto com sua licença de uso por 100 reais. Toda vez que esse modelo for comprado o artista irá ganhar 70 reais e nós receberemos 30 por termos feito a divulgação, armazenamento, tramitação legal, gerenciamento do pagamento, etc.

P’n’B – Como é possível contribuir com o portfolio online da empresa?

Os sócios Carlos Almeida e Michael Siegwarth

Os sócios Carlos Almeida e Michael Siegwarth

CA – É bastante simples. Basta clicar no botão “Enviar” no topo da página, criar uma conta, escolher qual arquivo quer oferecer, qual licença entre [as opções na] nossa lista de licenças disponíveis e depois preencher os dados a respeito do arquivo (como imagem, amostra, descrição, categoria, tags, etc.). O arquivo passará por uma análise para saber se contém plágio ou vírus e em menos de 24 horas já estará à venda no site.

P’n’B – Já estão disponíveis recursos para todas as linguagens e plataformas de criação de games ou este acervo está em expansão? O que já existe em abundância no site e o que ainda falta, efetivamente?

CA – Temos bem poucos recursos disponíveis porque começamos essa semana a divulgação para colaboradores. Esse é um ótimo momento para qualquer criador de conteúdo começar a participar! Um dos principais critérios de ordenação dos arquivos na busca é a quantidade de visualizações. Então, quanto antes os produtores colocarem conteúdo, melhor! No momento temos as categorias: 3D, áudio, animações, ilustrações, extensões, scripting, shaders, partículas, texturas e UI. Mas qualquer tipo de recurso que faça parte da criação de um jogo e que possa ser utilizado por várias pessoas é bem-vindo.

P’n’B – Há bons recursos criados por desenvolvedores nacionais para compor o acervo do site?

CA – Minha experiência com os produtores nacionais tem sido excelente; a qualidade dos arquivos colocados tem sido muito boa. Claro que a indústria internacional está mais desenvolvida, mas o ecossistema do site tende a evoluir com o tempo, visto que os produtos de melhor qualidade tendem a se destacar e os produtores se desenvolverem junto com a comunidade. Nós pretendemos lançar a versão internacional [do site] no final desse ano, mas acredito que os desenvolvedores brasileiros irão conquistar uma boa posição.

P’n’B – O site pretende de alguma forma facilitar o encontro e a união entre criadores de diferentes recursos para a produção de um game? Você acredita que esse encontro possa acontecer a partir da navegação de diversos públicos pelo site?

CA – Nós aqui do Upando chamamos isso de “Efeito Networking”. É parte do que acreditamos que irá fazer nosso site ser melhor, quanto mais usuários houver.  Espero sim que muitas parcerias e negócios paralelos surjam através do site e pretendemos incentivar isso para servirmos também de portfolio para os colaboradores.

P’n’B – Como você vê a produção hoje no Brasil? Já há bons profissionais para a criação de games no país? Se sim, porque ainda não somos reconhecidamente grandes produtores?

CA – Infelizmente para sermos grandes produtores precisamos de bem mais do que bons profissionais de criação. Precisamos de investidores anjo buscando aportar capital em jogos, várias empresas consolidadas para contratar e manter vários profissionais nesse mercado,  distribuidores de conteúdo nacionais com destaque internacional e maneiras alternativas para que os produtores consigam sobreviver criando games, até que consigam se sustentar através deles. Quanto mais pessoas trabalhando com jogos, mais oportunidades irão surgir e mais o ecossistema se desenvolve, com melhores cursos, melhores profissionais e melhores jogos. Enxergo o Upando com um papel fundamental para a indústria criativa brasileira, possibilitando que muitas pessoas consigam ganhar dinheiro com a criação de recursos para games, o que hoje infelizmente é algo bem escasso.

P’n’B – A empresa é 100% nacional?

CA – Somos uma Startup independente, localizada em São Paulo com dois fundadores, Michael Siegwarth e Carlos Almeida, e pretendemos realizar um lançamento simultâneo no Brasil e exterior em novembro deste ano.  Conto com todos para que essa iniciativa dê certo e toda ajuda é muito bem-vinda. Aqueles que tiverem interesse no projeto podem entrar em contato diretamente comigo pelo endereço carlos@upando.com.br ou através do email da empresa, em contato@upando.com.br.

O conteúdo já disponível online pode ser acessado pelo link Upando.com.br.

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*



*