Escola Brasileira de Games apresenta série de cursos presenciais para negócios de game

Centro de educação e cultura de games, voltado ao ensino dos conceitos e tendências de gestão empresarial da indústria de jogos, a EBG lança série de cursos com o objetivo de incentivar e aperfeiçoar a capacitação dos profissionais da área - Por Kao Tokio

As iniciativas para a profissionalização da mão de obra nacional para o mercado de games começam a se tornar mais numerosas e consistentes em todo o país. Em São Paulo, foi inaugurada no último mês de junho a EBG, Escola Brasileira de Games, que busca oferecer cursos de capacitação ao profissionais da área em diversas modalidades de atuação, que vão muito além do Design de Games, complementando estas atuações com conhecimento ligado às áreas de gerenciamento, produção, marketing e outros processos fundamentais para o empreendedorismo de sucesso neste ramo ainda difícil e competitivo da indústria criativa nacional.

Para apresentar a grade de novos cursos que a EBG está elaborando e contar detalhes sobre o momento do mercado brasileiro de games e as iniciativas de empreendedorismo, Marcus Imaizumi, especialista em desenvolvimento de negócios, marketing e monetização para a indústria de games online, que apresenta ainda em seu extenso currículo, um período como gerente de produtos e negócios no Yahoo! Brasil, country manager para a rede social Habbo e para a desenvolvedora de alemã Innogames, consultoria para a sueca Stardoll e a holandesa Spilgames (ufa!), conversou com o Play’n’Biz, em uma agradável tarde de sábado. Seguem os principais trechos da conversa.

Marcus Imaizumi

Marcus Imaizumi

Play’n’Biz – Há quanto tempo está aberta a EBG? Qual o foco do projeto?

Marcus Imaizumi – A EBG foi oficialmente lançada em Junho de 2014, mas é um projeto que vem sendo planejado desde o final do ano passado. É praticamente uma extensão da Gamebiz, agência de mídia interativa e consultoria de negócios para a indústria de games, que desde 2009 ajuda empresas estrangeiras e nacionais de jogos a desenvolver negócios no mercado brasileiro. O objetivo da EBG é preparar profissionais talentosos a empreender no mercado de games no Brasil e no exterior, através do ensino das estratégias e técnicas mais atuais praticadas pelas empresas líderes em seus segmentos. Esperamos que com nosso suporte, tais profissionais sejam capazes de desenvolver e executar projetos financeiramente sustentáveis e que realmente gerem valor e satisfação para o público consumidor de jogos.

P’n’B – Quem é o público alvo desses cursos?

MI – A EBG busca oferecer cursos e treinamentos para 3 grupos de público distintos, mas com o mesmo objetivo: entender melhor a dinâmica da indústria de games e as práticas de desenvolvimento de negócios no setor (sendo):
1) Público desenvolvedor iniciante, com conhecimento básico, sem ou com pouca experiência profissional;
2) Profissionais que não estão atuando diretamente no mercado de games, mas querem entender a dinâmica do mercado e identificar oportunidades de negócio para seu negócio atual. Consideramos neste grupo os profissionais de marketing, publicidade, produção digital e mobile, e gerentes de marketing de empresas não necessariamente ligadas à indústria de games;
3) Profissionais de empresas players do setor: Estúdios de desenvolvimento, meios de pagamento, publishers, plataforma de distribuição, e mídia especializada.

P’n’B – Alguns cursos se propõem a auxiliar a abrir sua empresa de games, como elaborar um plano de negócios ou lançar o primeiro jogo sem largar o emprego. Este mercado é tão complicado assim?

MI – Acho que o mercado de games é tão complicado e simples como qualquer outro. Apesar de cada setor ou segmento necessitar de conhecimento técnico específico, existem regras e práticas gerenciais que são comuns a todas indústrias. O fato é que especificamente no setor de games, a maioria dos empreendedores são jovens, com muito conhecimento técnico mas com pouca experiência profissional. E são esses que possuem o espírito empreendedor mais presente e precisam de um conhecimento, mesmo que básico, de gestão empresarial. E como em qualquer segmento da economia, a concorrência é sempre muito grande e só consegue sobreviver e se destacar quem estiver preparado, quem faz a lição de casa e pensa de maneira profissional desde o início. Não adianta querer ser uma EA [Electronic Arts] se não aprender a ser uma micro empresa primeiro.

Guilherme Loureiro, ministrando o curso "Uso de Redes Sociais para Games"

Guilherme Loureiro, ministrando o curso “Uso de Redes Sociais para Games”

P’n’B – Um dos cursos apresentados falará sobre o Free to Play. É possível desenvolver um modelo de ação como esse no Brasil e ganhar dinheiro para sustentar o negócio?

MI – Com certeza. Querendo ou não o modelo Free-To-Play é o modelo mais utilizado e o que vem trazendo mais resultados atualmente. Quem ainda pensa de maneira simplista, que o modelo free-to-play é um modelo mercenário e oportunista, está se equivocando. Apesar da imagem negativa gerada por causa de alguns poucos maus exemplos, o modelo vem sendo adotado pelas pequenas e grandes empresas que realmente se preocupam com a experiência do jogador e estão criando mecânicas mais balanceadas e justas. O grande desafio é criar uma mecânica honesta na qual os jogadores possam perceber o valor agregado, os benefícios da compra e assim se sentirem confortáveis a desembolsar alguns Reais para jogar mais. Além disso, é possível combinar o modelo de free-to-play com outros modelos de monetização, criando-se modelos híbridos muito eficientes, por exemplo, combinando o F2P com publicidade ou patrocínios. Vale lembrar, entretanto, que o modelo free-to-play não é o melhor modelo do mundo e não deve ser aplicado a todos gêneros de jogos e plataformas. É preciso que todos os aspectos de um projeto sejam bem analisados antes de decidir implementar esse modelo, o público-alvo, a plataforma, o gênero do jogo…

P’n’B – Muitas empresas de fora que buscam games no Brasil afirmam que nossos desenvolvedores não pensam o modelo de negócios e a longevidade do projeto. Como a EBG vê esse problema e de que maneira pode atuar para auxiliar a minimizá-lo?

MI – Uma das nossas preocupações é ensinar aos alunos a importância de se pensar sempre no longo prazo. Pensar no sucesso da empresa como um todo e não somente em um projeto específico. Mais importante do que pensar na longevidade de um jogo, é pensar na longevidade de relacionamento com o jogador. Ou seja, você precisa se preocupar em manter o jogador fiel à sua empresa e não somente a um título. Empresas de sucesso adotam essa linha de raciocínio, que é focar na retenção do jogador, mesmo que para isso a estratégia seja lançar sempre novos jogos que irão não somente ajudar a reter os jogadores do jogo anterior mas trarão novos jogadores para sua comunidade.

P’n’B – Um dos cursos fala sobre redes sociais e games. Como utilizar estas redes de forma a gerar interesse do público sem se tornar persona non grata nesses meios?

MI – Num primeiro momento o tema parece fácil. Muitos acham que usar redes sociais é simplesmente postar no Facebook, Youtube e Twitter. Entretanto, o que ensinamos além de tudo, é como analisar as características do seu público-alvo primeiramente e a partir daí sim planejar o que e como será postado nas redes. As redes sociais podem atuar em várias frentes. Elas podem ser as próprias plataformas de conteúdo como também apenas canais para impulsionar o alcance do seu conteúdo. De qualquer maneira, as redes sociais são os canais de comunicação com nosso clientes e potenciais clientes. ë preciso estar preparado para lidar com essas ferramentas pois a partir do momento que abrirmos esse canal, temos que estar preparados para sempre dar um feedback para quem vem falar conosco.

P’n’B – Como é a duração dos cursos e como é avaliado o aproveitamento dos alunos?

MI – A EBG aposta no modelo de cursos livres, de curta duração, focados em temas muito específicos e pontuais que os alunos precisam aprender para poder dar continuidade aos seus projetos. Detectamos que quem nos procura possui dúvidas e necessidades específicas, que são exatamente as barreiras do progresso de seus projetos. E os alunos querem soluções rápidas e práticas. A proposta da EBG é oferecer conhecimento para que os alunos consigam solucionar esses problemas pontuais e manterem-se motivados a continuar seus projetos. E a melhor maneira para fazer isso é combinar ensino de teoria com exposição de casos e exemplos reais, pois desta maneira estaremos dando referências concretas para que ele possa se localizar e se posicionar em relação ao mercado e suas ambições e objetivos. A EBG não tem como objetivo testar os conhecimentos dos alunos, ainda mais porque no mercado de games não existe o conceito de “verdade definitiva”. Testamos o conhecimento do aluno através de análises e simulações de casos reais através de atividades interativas durante os cursos.

P’n’B – Existe um processo de certificação?

MI – Como os cursos são livres, ou seja, sem exigência de pré-requisitos para se fazer os cursos, não existe a obrigação de avaliação de aprendizado e certificação nos moldes de cursos de formação técnica, de graduação ou pós-graduação reconhecidos pelo MEC, por ex. Mas a EBG concede um certificado de participação a todos os alunos após o término de cada curso.

P’n’B – A ministra Marta afirmou no ano passado que game não é cultura. Como manter um negócio focado em um perfil cultural tão desrespeitado no Brasil?

MI – Acreditamos que a cada dia que passa, a sociedade deixa de olhar para os games de forma marginalizada e preconceituosa. Naturalmente, a indústria e o mercado consumidor de jogos vêm demonstrando sua relevância cada vez maior na economia e influência em diversas esferas da sociedade. Acho que a afirmação da ministra foi infeliz e não representa a opinião da maioria das pessoas, principalmente daquelas que já estão envolvidas na indústria e acreditam que os jogos podem contribuir de diversas formas para com a sociedade. Preferimos não dar muita atenção para eventuais repercussões negativas, pois temos certeza de que os games têm muito mais a agregar para a sociedade.

P’n’B – Qual é o caminho para mudar essa percepção de certas personalidades?

MI – Acho que estamos já no caminho certo. Os games já têm mais espaço na mídia do que há anos atrás e a maioria das notícias são positivas, ressaltando benefícios que os games geram cultural, social e economicamente. As evidências são claras, basta notar por exemplo o tamanho e número de eventos relacionados a games no Brasil, que a cada ano arrasta centenas de milhares de apreciadores da cultura gamer. Outra evidência clara é o aumento do número de pessoas interessadas em aprender sobre esse mercado e o aumento da oferta de cursos de graduação e até pós-graduação por instituições de credibilidade.

P’n’B – Valores de cursos especializados raramente são baratos no Brasil. Àqueles que não puderem participar dos cursos, qual a dica da EBG?

MI – A EBG tem o compromisso de levar conhecimento e informação a todas pessoas, mesmo àquelas que não podem participar dos cursos presenciais em São Paulo ou outra localidade. Através do nosso blog e canal do YouTube, a serem lançados oficialmente dentro das próximas semanas, disponibilizaremos material gratuito e de extrema relevância como entrevistas, mini-aulas de temas específicos, artigos técnicos e dicas de carreira e desenvolvimento profissional.
A agenda dos cursos já programados pode ser encontrada aqui Goo.gl/G3bspJ e na nossa página do Facebook.

Escola Brasileira de Games
Site: Escolabrasileiradegames.com.br
Contato: secretaria@escolabrasileiradegames.com.br

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*



*