Carioca Pós-Doutorando lança ebook sobre carreiras no Mercado de Game

Raphael Dias, profissional com formação em Física e Computação Quântica pela Universidade Federal Fluminense, dedica parte de seu tempo à criação de jogos e sanando dúvidas de interessados em jogos em seu site, o Produção de Jogos. O livro é resultado dessa atuação - Por Kao Tokio

Entrar no mercado de games é um desejo de muitos dos jovens da atualidade, que dedicam várias horas à experiência imersiva nos jogos digitais. No entanto, parece haver pouco entendimento quanto ao perfil dessa profissão e mercado. Ao menos, é essa a sensação de Raphael Dias, desenvolvedor carioca de 27 anos, que mantém um site Produção de Jogos, no qual responde inúmeras dúvidas sobre o tema e acaba de lançar o ebook GAMEDEV, que se propõe a esclarecer muitos desses equívocos dos iniciantes na arte do game design.
O Play’n’Biz teve uma longa e produtiva conversa com o profissional, Doutor em Física e pós-doutorando e Computação Quântica pela Universidade Federal Fluminense, para conhecer a obra literária e entender como o projeto pode auxiliar a dirimir dúvidas sobre o mercado de jogos no país.

Raphael DiasPlay’n’Biz – Fale-nos sobre sua formação e experiência profissional nessa área, Raphael.
Raphael Dias – Eu sou Doutor em Física pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com 1 ano de estágio no Informatics Forum da Universidade de Edimburgo, Escócia. Atualmente trabalho com pesquisa científica em Computação Quântica na UFF, onde termino meu pós-doutorado em outubro de 2014.
Eu sempre tive vontade de trabalhar com jogos digitais quando era mais novo mas na época que fiz vestibular (em 2004), essa não parecia ser uma opção muito viável (pelo menos esse era meu entendimento na época). Em 2010, já no doutorado, conheci a engine Unity 3D, que tinha acabado de lançar uma versão gratuita. Comecei então a fazer alguns jogos simples, alguns deles foram inclusive publicados em algumas App Stores.
Como o tempo no doutorado era curto, eu acabei deixando esse hobby um pouco de lado até o começo desse ano, quando fundei o site Produção de Jogos com o intuito de ajudar outras pessoas que tem interesse pela área de games.

P’n’B – Como surgiu a ideia de criar esse livro e em que ele difere de outras produções do gênero, algumas de autores já consagrados?
RD – A ideia de criar o livro era ajudar as pessoas que não entendem exatamente como o mercado de jogos funciona. No Produção de Jogos, meu site, eu respondo (quase diariamente) dúvidas básicas sobre a carreira de jogos e o mercado de jogos digitais.
Muita gente acha que vai conseguir se juntar a duas pessoas e criar o próximo GTA ou Call of Duty em apenas alguns meses. Outras pessoas acham que game designer faz artes gráficas, ou que trabalhar com games significa jogar games 90% do tempo.
O livro foi criado com a ideia de responder a perguntas desse tipo, além de fornecer outros conteúdos de valor para pessoas com dúvidas menos básicas e também contribuir para o mercado editorial brasileiro na área de games.

P’n’B – Não há no preview dos capítulos informações que identifiquem conteúdo voltado especificamente ao desenvolvimento dos jogos, como arte, programação etc. Entendendo que sejam conhecimentos relevantes e necessários ao exercício da profissão, como este conteúdo será disponibilizado?
RD – O ebook GAMEDEV não é um livro sobre como fazer jogos, mas sim sobre as carreiras que existem no universo dos games, suas características, atribuições, salários, etc. Dessa maneira, conteúdos referentes a programação de games ou confecção de arte para jogos, por exemplo, estão fora do escopo do livro.

Gamedev_Ebook2P’n’B – Em um dos capítulos você discorre sobre o que “não é” ser um designer de games. Há muito equívoco quanto ao perfil do profissional dessa área?
RD – Essa é uma dúvida que eu recebo muito no Produção de Jogos, e foi daí que veio a ideia para escrever essa seção do livro. Muitas pessoas têm uma idéia equivocada (ou, no mínimo, glamorizada) sobre a carreira em jogos digitais. Algumas pessoas pensam que basta gostar muito de videogames, mas isso é um grande equívoco. No ebook eu argumento que, inclusive, não é necessário gostar de jogos para trabalhar com jogos (apesar de ser recomendável, claro).
Lembre-se que, apesar de games serem uma forma de entretenimento, a sua confecção é um trabalho em tecnologia e artes. Isso significa duas coisas: (1) Gostar de jogar games não implica gostar de fazer games e (2) gostar de fazer games não implica gostar de games. Tem muita gente que adora jogar videogame, mas não tem interesse em programação, arte gráfica, ou outros componentes que constituem um jogo. Por outro lado, um programador que não joga videogames por lazer há 10 anos pode, perfeitamente, trabalhar numa empresa de desenvolvimento de jogos.
O ideal é que você descubra se você gosta de fazer jogos, pois gostar de jogar não é o bastante.

P’n’B – Existe uma certa aura de divindade da imagem do Designer de Games? Em que aspecto esta imagem mítica não corresponde ao cotidiano dos desenvolvedores de jogos?
RD – Acho que acabei respondendo parte desta pergunta na minha resposta acima. Acredito que exista uma glamourização da carreira de Game Designer, assim como existe uma glamorização da carreira de Diretor de Cinema, para quem gosta de cinema.
Essa glamorização é comum em toda carreira onde a degustação do produto final tem pouca relação com o seu processo de confecção. Um outro exemplo excelente é a carreira de escritor de livros. Enquanto o trabalho final (o livro) geralmente é algo limpo, conciso, artístico, a sua escrita geralmente é caótica, irregular e sofrida.
Foi o que eu disse na resposta anterior: gostar de games e gostar de fazer games são coisas diferentes, da mesma forma que gostar de ler não implica gostar de escrever, ou gostar de música não implica gostar de tocar um instrumento.

P’n’B – A percepção dos produtores nacionais identifica de um modo geral que o mercado brasileiro de games ainda é muito iniciante e até mesmo resistente para as produções locais. É possível confiar de fato na premissa de uma carreira bem sucedida nessa área, permanecendo no Brasil?
RD – Sem dúvidas. Se você me permite, eu gostaria de dar duas respostas a esta pergunta: uma convencional e outra pouco convencional.
Primeiro, a convencional. O mercado brasileiro de jogos tem crescido bastante nos últimos anos, e muitos desenvolvedores de jogos vem desbravando novos territórios dia após dia. Qualquer pessoa que hoje pense em entrar numa faculdade de jogos (ou que já esteja em uma) pode ter a certeza que quando chegar na hora de entrar no mercado de trabalho vai encontrar um cenário melhor do que o que temos hoje. Não existe nenhum bom motivo (que seja do meu conhecimento) para o mercado de jogos no Brasil não continuar expandindo.
Agora eu gostaria de dar uma resposta um pouco menos convencional à mesma pergunta. Vamos esquecer por um instante como é o mercado de jogos (no Brasil e no mundo) e tentar entender quais são os elementos básicos do setor, e expandir nossas ideias a partir desses elementos fundamentais.
O produto que estamos falando aqui são jogos digitais, que nada mais são que arquivos de computador. Vamos tentar responder algumas perguntas básicas sobre este produto:
1) O que é necessário para a confecção deste produto? Um (ou vários) computador(es).
2) O que é necessário para distribuir este produto (ou partes dele)? Hoje em dia, a internet faz perfeitamente este serviço.
3) Quais são os custos envolvidos com a distribuição deste produto? Por se tratar de um arquivo digital, os custos são praticamente nulos.
Portanto, estamos falando de um mercado onde a “máquina de produção” é um simples computador pessoal e a distribuição do produto é simples, rápida, e praticamente sem custos.
Vamos retornar agora a sua pergunta: É possível ter uma carreira bem sucedida nessa área mesmo sem sair do Brasil?
Note que na análise que fiz acima em nenhum momento apareceu a questão da geolocalização. A produção pode acontecer de qualquer lugar do mundo e ainda assim a exportação do produto final é simples, rápida e barata.
Esta forma de repensar a estrutura de carreiras relacionadas ao meio digital é muito recente, mas tem sido fortemente estudada (e aplicada!) em diversos setores. Muitas pessoas acreditam (eu inclusive) que a internet vai causar uma mudança radical no que entendemos por “carreira”, assim como aconteceu com a invenção das máquinas a vapor e a Revolução Industrial.
Existem muitas empresas de software hoje em dia que não possuem sede física e alguns de seus funcionários nem mesmo se conhecem pessoalmente, pois estão espalhados pelo mundo. E, na verdade, não existe nenhum bom motivo para o mesmo não acontecer com o desenvolvimento de games.
Não estou dizendo que toda empresa de games no futuro será assim (não acredito nisso), mas sim que uma empresa nesses formatos é perfeitamente possível hoje em dia. E já existem várias. Isso quer dizer que, independente do país em que você mora, se você souber inglês fluente, você pode trabalhar em empresas situadas em qualquer lugar do mundo.
Só para dar um exemplo, eu tenho um amigo que é empresário…e nômade. Ele pula de país em país há anos enquanto trabalha em vários projetos digitais, com pessoas de vários lugares do mundo. Atualmente, um de seus projetos é o desenvolvimento de uma plataforma online para suporte de serviços (mas poderia perfeitamente ser um jogo digital), e ele tem programadores de 3 países diferentes trabalhando pra ele: Vietnã, Tailândia e Brasil.
Eu sei que não vou conseguir convencer a todos apenas com essas poucas palavras que escrevi de que esta é uma opção viável, mas gostaria de convidar todos os interessados a pesquisarem mais sobre esse assunto.

Ebook Gamedev Rafael DiasP’n’B – Seguindo as orientações do seu livro, em quanto tempo o candidato a designer de games tem chance de ser bem sucedido nesse mercado, com um trabalho consistente e sério?
RD – Qualquer pessoa dedicada tem chances de ser bem sucedida no mercado de jogos. É difícil estimar o tempo para o sucesso, pois “sucesso” é um conceito subjetivo que cada pessoa interpreta de um jeito diferente.
Uma das vantagens de se trabalhar com jogos é que você pode começar a “montar sua carreira” antes mesmo de entrar na faculdade (ou em um curso de jogos). Uma pessoa de 13 anos, por exemplo, pode aprender a programar ou a fazer desenhos 3D e, desde cedo, montar o seu portfólio e fazer trabalhos freelance.
Claro que isso é mais difícil na carreira específica de Game Designer, mas é uma realidade em várias outras carreiras do mercado de jogos, como a de programador, artista gráfico, compositor de trilhas sonoras, tradutor de jogos, entre outras.

P’n’B – Você afirma que, se o leitor não ficar satisfeito com o material você devolverá o dinheiro do livro. O que o faz ter tanta certeza quanto ao teor da obra produzida?
RD – O ebook GAMEDEV foi escrito em resposta às diversas dúvidas que eu recebo diariamente por email e facebook, através do meu site Produção de Jogos. Por esse motivo, eu acredito que no ebook estão reunidas as respostas para as dúvidas de várias pessoas que têm interesse em seguir uma carreira no mundo dos jogos digitais.
A ideia da garantia incondicional de 30 dias é que a pessoa pode comprar o ebook sem medo de comprar “por engano”, ou seja, se o comprador achar que o material não tem nada a ver com o que ele esperava e que os bônus não vão ser úteis, ele pode pedir o dinheiro de volta em até 30 dias.

P’n’B – Qual a maior lacuna de conhecimento aos iniciantes de jogos no Brasil hoje, de um modo geral?
RD – Existem vários profissionais muito competentes no mercado fazendo um excelente trabalho. Uma coisa que noto, porém, é que muitos iniciantes esquecem que o mercado de jogos é um… mercado. E qualquer produtor para um mercado precisa aprender sobre assuntos que não estão diretamente relacionados com o produto em si, como por exemplo marketing e empreendedorismo.
Isso novamente remete a questão da glamorização da profissão. Muitas pessoas acreditam que vão fazer um jogo tão incrível que ninguém conseguiria ignorar. Isso não acontece. Se você quer que pessoas joguem o seu jogo não basta ele ser bom, você precisa investir em marketing. Ou você acha que Angry Birds é um dos melhores jogos da década? Pois certamente é um dos mais jogados.

P’n’B – Em sua visão, onde está a fonte da fortuna no futuro dos games? Nos projetos AAA para consoles e PCs ou nas iniciativas de pequenos estúdios para mobiles?
RD – Jogos AAA geram muito dinheiro para estúdios, mas é preciso ser um estúdio muito grande para produzir jogos do tipo. Hoje em dia, mesmo os maiores estúdios do mundo têm um setor dedicado a jogos casuais para dispositivos móveis, e acho que isso quer dizer alguma coisa sobre o mercado. Nesse sentido, acredito que a melhor forma de fazer dinheiro com jogos digitais é investindo em jogos casuais para celulares e tablets.

P’n’B– Há algumas bonificações extras, como o oferecimento de um audiobook, segredos dos desenvolvedores indie bem sucedidos, listas de empresas e faculdades. Como utilizar este conteúdo adicional com o livro e como eles agregam conteúdo relevante  aos interessados?
RD – Qualquer pessoa que compre o ebook GAMEDEV hoje vai receber os seguintes itens:
– ebook completo em PDF
– ebook completo em ePUB;
– Audiobook em mp3 (para comodidade: pode ouvir na academia ou no carro, por exemplo);
– Lista com 89 empresas brasileiras de games, com breve descrição e informação para contato;
– Lista com 105 cursos e faculdades relacionados a jogos digitais no Brasil e no Mundo;
– Entrevistas com desenvolvedores de jogos;
– Acesso a um grupo exclusivo no Facebook, destinando a troca de informações sobre a carreira de jogos.
Além disso, todas as atualizações futuras (tanto do ebook quanto dos bônus) serão grátis, mesmo que o preço de venda do ebook dobre no futuro.
Como é possível notar da lista acima, os bônus que ofereço são para as pessoas terem uma visão geral de como funciona a carreira em games, quais são os cursos e faculdades que existem no país e no mundo (desde cursos simples até pós-graduações), quais são e o que fazem algumas das empresas de jogos espalhadas pelo país, entre outras coisas.
Em 3 dias de venda o ebook já foi comprado por 35 pessoas e mais de 20% delas disseram que a Lista de 89 empresas será de extremo valor para elas. Outras pessoas elogiaram as entrevistas e outras ainda gostaram da compilação de mais de 100 cursos e faculdades. A ideia era produzir bônus que fossem úteis para quem quer seguir uma carreira em jogos, e pelo feedback que recebi até agora acredito que eu tenha conseguido.

P’n’B – Quais as suas considerações finais e como os interessados podem contatá-lo?
RD – Eu gostaria de agradecer muitíssimo pelo convite para dar esta entrevista, foi muito agradável responder a todos as perguntas. Gostaria também de dizer que eu tenho um convite muito especial para todos que possuem blogs/sites/canais voltado ao universo de games. Quem tiver interesse basta mandar um email para raphael@producaodejogos.com e dizer que possui um blog/site/canal de games e eu entrarei em contato.
Eu gostaria de finalizar convidando as pessoas a visitarem o meu site, o Produção de Jogos, um site sobre produção, desenvolvimento e marketing de jogos voltado para o leitor e livre de propagandas.
Obrigado pelo convite e obrigado a todos que reservaram um pouco do seu tempo para ler esta entrevista. Até a próxima!

O livro GAMEDEV já está disponível e pode ser adquirido na página de vendas do site Produção de Jogos, no link Producaodejogos.com/gamedev.

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

1 Comentário on Carioca Pós-Doutorando lança ebook sobre carreiras no Mercado de Game

  1. Realmente uns grandes nichos em vídeo game .ira revolucionar o mercado para grandes jogadores.
    Desenvolvimento de Jogos 3D/2D Neste assunto o professor Luciano aborda todas as técnicas do desenvolvimento de jogos profissionais utilizando a engine UDK/Flash
    http://online.cursos.historiasecursos.com.br/Desenvolvimento-de-Jogos

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