Comic Con abre as portas para a Cultura Pop mundial em SP, com atrações e novidades

Evento baseado nas bem sucedidas convenções internacionais de Quadrinhos, a CCXP 2014 pretende notabilizar-se como vitrine de tendências da Cultura Pop no país. Edição de estreia oferece mostra de artistas, palestras, stands de grandes franquias e produtos Geeks para enlouquecer o público - Por Kao Tokio

O clima chuvoso do dia inaugural da Comic Con Experience não espantou o público, que chegou em peso desde a abertura do evento, às 12h da última quinta-feira, dia 04/12, ao longínquo São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (ex-Centro de Exposições Imigrantes), para conferir as surpresas reservadas pela equipe do Omelete e empresas associadas, que apostaram alto na realização do projeto, inspirado nas bem sucedidas convenções de Quadrinhos, famosas em cidades como San Diego, Los Angeles, São Francisco e Nova York, entre outras.

O resultado, que o Play’n’Biz acompanhou desde a abertura dos portões, está acima da média dos eventos culturais similares já produzidos no país, como o Anime Friends ou a Brasil Game Show, ambos recentemente promovidos em São Paulo. Com muitas filas, mas bem organizadas e rápidas, e boa divisão de espaços entre as áreas de stands, serviços e palestras, a equipe de produção responsável demonstra atenção especial para com seu público e foco na qualidade da marca CCXP, que tem tudo para dar continuidade nos próximos anos.

Empresas como Fox, Disney, Warner e Sony, entre outras, investiram em stands e programação diversificada, com a presença de personalidades, divulgação de séries e atrações para todos os públicos, do convencional ao nerd. Curiosamente, apesar de ostentar o título de Comic Con, a divulgação do evento o apresenta como “a experiência de celebrar o mundo pop que todos conhecemos e amamos”. De fato, é impossível não se envolver com os sets fotográficos de The Walking Dead ou The Simpsons, no stand da Fox, o icônico Batmóvel da série camp de Batman dos anos 60 no stand da Warner, a exposição sobre a evolução do vilão em Star Wars no stand da Disney ou as outras atrações que disputam a atenção do público a cada esquina no evento.

Batmovel

No entanto, parece inevitável a leve sensação de perceber a parte ‘comic’ em segundo plano no evento. Ainda que stands da Panini, Comix, Devir, Jambô, JBC e outros espaços menores ofereçam farto material entre quadrinhos e graphic novels, nomes tradicionais no universo da HQs parecem ter ficado de fora nesta edição, com exceção apenas do sempre inesquecível Maurício de Souza. A observação pode soar injusta, se considerarmos que a produção elencou muitos profissionais da área, ainda que menos conhecidos pelo grande público, mas não menos importantes em realizações nesse mercado, a exemplo dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, José Luis Garcia-López, artista espanhol famoso a partir dos anos 70 por suas artes para a DC Comics com Batman e Superman, Dave Johnson, reconhecido capista dos gibis da Marvel e da premiada série 100 Bullets, além do decano Don Rosa, criador da clássica Saga do Tio Patinhas, nos anos 1990 (artista que podia ser visto passeando tranquilamente pelo evento na manhã de quinta!).

VaderOutros destaques da linguagem gráfica podem ser conferidos na área Artist’s Alley, que reúne um sem número de quadrinhistas e suas produções, muitas delas de elevado nível de qualidade, em sintonia com o que de melhor tem se produzido no exterior. Ali, embora o público possa apreciar e adquirir grandes obras, o arranjo do espaço e a distribuição geral dos micro-stands dos artistas dão a desconfortável impressão de uma valorização menor a tais produções, frente à ostentação dos stands das principais franquias e empreendimentos. Ainda assim, pode-se gastar horas admirando os belos trabalhos realizados, além da oportunidade de conhecer ao vivo os artistas e seus impressionantes talentos.

Artists

Não menos importante, vale ressaltar a generosa área reservada à alimentação, bem como a diversidade de fast foods e cardápio, um alento para o público frequentemente atendido por ‘dogões’ de qualidade questionável e leite de soja sem gelo. Os banheiros se mostraram limpos e funcionais mesmo depois de horas de evento, o que denota cuidados também nesse quesito. O único senão talvez tenha ficado por conta da saída de público, que obrigava a uma forçosa caminhada em plena pista de veículos, por uma via sem calçada, até encontrar as Vans responsáveis pelo serviço de transporte, distantes da saída e de difícil acesso em meio aos automóveis estacionados aleatoriamente pelo piso em reforma do estacionamento.

Tudo somado, o público pode se preparar para um dos grandes eventos do ano, que celebra a cultura Pop e sua diversidade para todas as audiências, do Geek ao entusiasta por aventuras. A julgar por esse início de projeto, a CCXP tem tudo para cativar o público e ganhar expressão cultural mais relevante nas próximas edições.

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

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