Estúdio Red Stomp lança game Saga do Pé Vermelho em homenagem à cidade de Londrina

Game que retrata de forma lúdica a história da cidade usa a imaginação de um jovem visitante de 8 anos ao museu para criar situações e desafios que lembram os games clássicos como Mario 64 e Crash Bandicoot. Jogo está disponível gratuitamente a partir de hoje na rede - Por Kao Tokio

Logo do GameAlphaLondrina é uma cidade relativamente nova no panorama nacional, com apenas 80 anos. Ainda assim, a cidade já detém um histórico que vale a pena ser relembrado, como acreditam os profissionais do estúdio paranaense Red Stomp, que lança hoje o game Saga do Pé Vermelho, projeto que se utiliza das mecânicas e desafios típicos dos jogos em estilo platformer 3D como Mario 64, Crash Bandicoot ou The Legend of Zelda: Ocarina of Time, para homenagear a cidade. O Play’n’Biz conversou com Thiago Vannuchi, Game Designer e artista 3D do estúdio, para conhecer os detalhes do projeto, que já está disponível na rede.

Play’n’Biz – Thiago, o game Saga Pé Vermelho está descrito como uma homenagem a Londrina. Foi um trabalho de encomenda ou voluntário do grupo de desenvolvedores? E porque será gratuito na web?
Thiago Vannuchi – Um pouco dos dois. Tínhamos um projeto “Local Video Games” encomendado pelo professor Canadense PhD em teoria do videogame Tamer Thabet. Esse projeto visa descobrir novos times de desenvolvimento de jogos em países que não têm fortes características de desenvolvimento de jogos, e ver como a cultura local influencia nos jogos produzidos por essas equipes. Tínhamos então que realizar um game que falasse sobre a cultura e história de nossa cidade, não necessariamente um jogo educativo. Quando tivemos essa reunião estávamos a 3 meses do aniversário de 80 anos da Cidade, pensamos então em homenagear a cidade e fazer um game gratuito como se fosse um presente a todos os gamers Londrineses, para que a cidade conheça o nosso trabalho que ainda é bem novo.

Cenas de gameplay de Saga Pé Vermelho

Cenas de gameplay de Saga Pé Vermelho

P’n’B – O game conta com parceria de canadenses. Como se deu essa aproximação e em que bases se dá essa produção conjunta?
TV – Além do professor Tamer temos também um grupo de investidores Canadenses que nos ajudam com os projetos, tentando vender algumas de nossas ideias.

Dudu, o herói da Saga Pé Vermelho

Dudu, o herói da Saga Pé Vermelho

P’n’B – O que há de tão fascinante na história da cidade e que faça o tema render um bom game? O que o player convencional pode esperar desse projeto?
TV – Abordamos os fatos históricos à partir da perspectiva de uma criança de oito anos que visita o museu pela primeira vez, na cabeça dele tudo é novo, gigante e fantástico, então quando pegamos um fato como por exemplo o incêndio que destruiu nosso cineteatro, temos um level com poças de lava, chuva de fogo e canos gigantes para apagar o fogo.
O Player convencional pode esperar um clássico platformer 3D, nessa versão alpha ele vai lidar com mecânicas clássicas dos platformers antigos, coisas como levar uma alavanca até seu lugar, fugir de armadilhas e batalhas simples com inimigos, essa vai ser nossa primeira fase de testes, e pretendemos levar em consideração todas as críticas (acho que vão ser muitas) dessa primeira versão para podermos melhorar e até mesmo criar novas mecânicas mais para frente.

P’n’B – De onde vem a expressão “Saga Pé Vermelho” que dá nome ao game?
TV – Pé vermelho é uma expressão usada para se referir aos Londrinenses, o por que dá pra descobrir jogando.

P’n’B – O que uma gangue de bullies, animais gigantes e bosques sinistros têm a ver com o tema central do game?
TV – O tema central não é a história de Londrina e sim a visita de Dudu com a escola ao museu. Chegando lá, Bullies tomam seu videogame e ele então tem que passar a visita sem seu brinquedo e, enquanto faz isso, ele começa a viajar nas alas do Museu e o jogador, então, joga a sua imaginação.

P’n’B – Quais as influências diretas de games como Mario 64, Crash Bandicoot e The Legend of Zelda: Ocarina of Time no projeto?
TV – O Museu funciona de maneira parecida com o castelo de Mario 64, ele tem suas quests próprias que só podem ser realizadas se você jogar as “viagens” de Dudu. Crash e Zelda foram inspiração no game design de forma geral, com algumas mudanças de mecânicas nos bosses como você encontra no Crash e Zelda. Zelda sempre é inspiração, desde a espada do Dudu até não sei muito bem onde (rs).

Imagem de gameplay

Imagem de gameplay

P’n’B – Qual a fórmula do grupo para criar um level design capaz de cativar o jogador na ação e na trama do game? E como desenvolver trabalhos que consigam trazer novidade e manter a essência dos jogos antigos ao projeto?
TV – Tem muito aquilo de você criar o que gosta de jogar, mas a linha é bem tênue e isso pode ser perigoso; começamos por aí, mas aí pensamos em como fazer o jogo mais agradável para um público que não fosse somente os saudosistas do 64 e Playstation 2. Foi bem difícil fazer isso, devido ao tempo de projeto, em apenas 3 meses para fazer do zero 3 fases mais o level do Museu em 4 pessoas. Foi bem apertado. Mas acho que conseguimos chegar em um nível legal, esse versão Alpha vai ser muito importante para nós; deixaremos o ego de lado e ouviremos todas as críticas. Aliás, no desenvolvimento de jogos gente com ego gigante tende a se complicar bastante.

P’n’B – Há quanto tempo o Red Stomp está no mercado? O grupo permanece na condição de desenvolvedores indies ou já são uma empresa formalmente constituída?
TV – Sempre tivemos CNPJ desde quando formamos o estúdio há 2 anos. Já fizemos muitos trabalhos como maquetes eletrônicas, cenários 3D para fotografia e também alguns aplicativos pra Mobile; no meio disso tudo íamos enfiando nossos jogos. Nossa meta é cada vez mais sair da prestação de serviços e migrar para o desenvolvimento de jogos como produto. Então acho que somos um pouco dos dois.

Montagem com cenas do Jogo

Montagem com cenas do Jogo

P’n’B – Quem são os desenvolvedores do estúdio Red Stomp e quais as suas formações?
TV – Eu, Thiago Vannuchi, Sou Game Designer e Concept Artist, o Reberson Alves é Animador e Artista técnico e tem o Arthur Fukushima e o Jorge Salvi, que são os programadores. É claro que no dia a dia todos fazemos um pouco de todas as áreas mas cada vez mais estamos aprendendo a cuidar se dedicar mais na área de especialidade em prol de uma melhor produção. Começamos todos em uma empresa de Simulação 3D aqui de Londrina. Contamos também com a parceria do músico e compositor Caio Gharib, assim como o César Galvani no webdesign.

P’n’B – Como gostariam que o game fosse recebido pelo público?
TV – Gostaria de dizer a todos que vierem a jogar Saga Pé Vermelho que essa versão Alpha vai ser muito importante para melhorarmos o produto final, então não se segurem nas críticas, boas ou ruins e não segurem também nos compartilhamentos. Nós gamers e desenvolvedores brasileiros temos que nos unir mais e manter os haters longe. Aqui no Brasil tem muita gente talentosa e que trabalha até sangrar, escondida por aí; o melhor jeito de termos games melhores é nos ajudando e nos unindo! Acho que é isso aí!

O jogo, que está em versão Alpha (e pode conter alguns bugs, segundo a produção) está disponível para jogar diretamente no browser em www.sagapevermelho.com.br, conta com o apoio do site da Labindie, publisher de jogos brasileiros independentes. O estúdio está aberto às opiniões e sugestões do público através do email redstompstudio@gmail.com. Let’s play!!!

Dudu Saga Gameplay

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

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