Ludum Dare: Relato de um Designer de Games Iniciante – Por Rafael Endo

Aspirante ao mercado desenvolvimentista de games, Rafael Miyasato Endo participou da Ludum Dare, Game Jam internacional que propõe a criação de um jogo em 72 horas, conectado com os demais criadores do jogo, que não se encontram necessariamente no mesmo local. Neste relato, o jovem comenta sua experiência com a jornada de criação coletiva.

A Ludum Dare, Game Jam internacional existente há 12 anos e que propõe a criação de um jogo em 72 horas, teve sua 31ª edição realizada entre os dias 5 e 8 de dezembro passado. O projeto, idealizado originalmente como uma comunidade online para o desenvolvimento de games em maratonas de 72 horas por Geoff Howland, é um dos eventos mais badalados pelos criadores independentes de jogos e sempre tema de muita celebração e troca de ideias, com excelentes resultados ao final de cada competição a exemplo de games como Retro Game Crunch, Evoland, Dynamite Jack ou McPixel, entre inúmeros outros.

A experiência de imergir no processo de criação colaborativa com outros designers de games de todas as partes do mundo é sempre um acontecimento especial para os participantes, que além de produzir trabalhos surpreendentes no prazo exíguo de 3 dias, vivenciam um aprendizado único por meio da troca de ideias entre os envolvidos, em um panorama que envolve experts e noobies. Rafael Miyasato Endo é um desses iniciantes no desenvolvimento de jogos digitais que aproveitas todas as oportunidades para aprimoramento pessoal na área e participou da última edição do evento.
Segue um breve relato pessoal do jovem, narrando detalhes dessa experiência.

Experiência na Ludum Dare #31

Rafael_EndoParticipar da Ludum Dare foi uma experiência boa para descobrir onde se pode melhorar como um game developer. Eu nunca tinha participado de uma game jam de 72 horas a longa distância e no começo foi meio estranho não ter as pessoas ao seu redor trabalhando e não ter as pessoas da sua equipe por perto para explicar e ter um brainstorm para o jogo, mas depois que comecei a fazer o jogo, tudo isso foi ignorado.

Nessa Ludum Dare me juntei com Pedro Rodrigo já que as minhas habilidades artística não são bem desenvolvidas e utilizei a ferramenta Construct 2, pois considerei que seria mais fácil e rápido para desenvolver o jogo.
Ficamos debatendo sobre a ideia do jogo em cima do tema estabelecido que era “Entire game on One Screen” (Um jogo inteiro em uma tela) e tínhamos algumas ideias e acabamos aceitando a ideia de fazer um jogo onde o personagem se movia para bases para conquistar ou defender.

Um dos primeiros problemas encontrados foi a falha de comunicação, pois por alguns momentos estávamos tendo dificuldade de entender o conceito do jogo e isso era preocupante, pois poderia terminar com dois jogos diferentes em um. Então paramos e ficamos digitando um para outro para entender bem o que cada um queria.
Depois disso, começamos a definir a ordem de prioridade, como ter o personagem e as bases feitos primeiro do que o cenário, já que o cenário poderia demorar um pouco para ser concluído. Isso foi bom, pois o Pedro pode se focar em fazer um de cada vez enquanto eu montava a lógica do jogo.

Um desafio foi montar o sistema do jogo, pois sempre parava e pensava como iria fazer para funcionar e sempre encontrava bugs ou erro na sequência de lógica. Era difícil, principalmente quando estendia a noite segurando o sono, de pensar numa solução e descobrir o que ocasionava o bug.
O problema mais grave foi a falta de um planejamento do jogo, comecei fazer a lógica um em cima do outro ao ponto de ficar tão bagunçado que não sabia o que deveria mudar. Por causa disso, um bug no sistema de luta no jogo fez que acabasse com que não houvesse uma condição de vitória e derrota, infelizmente para consertar, era necessário recomeçar do zero.

Por ter sido a primeira Ludum Dare, não utilizei muita coisas dele, como colocar post e ver os trabalhos dos outros participantes. Entretanto, ficava compartilhando o progresso para a minha família, amigos e conhecidos via Facebook. Foi bom, principalmente receber um comentário e outro, isso ajuda um pouco a ter mais vontade de deixar o jogo bem feito.
No fim, descobri alguns pontos que posso melhorar, como aprender a reservar um tempo no começo do evento para planejar o jogo e descobrir outras maneiras de se comunicar a longa distância sem ser digitando.

Como sempre, foi corrido e estressante, mas depois que tudo isso passa, até que dá vontade de participar de novo, passando pelo mesmo estresse e correndo mas sempre desenvolvendo uma nova ideia que pode um dia se tornar um jogo comercial.

O jogo desenvolvido por Rafael e seu parceiro Pedro, o Screen Domain, está disponível em http://yakultjapa.itch.io/ld31
O candidato ao mercado de games pode ser contatado através do email rafamiyaendo@gmail.com.

 Sobre o Autor

– É estudioso de games, apaixonado pela mídia e aspirante a Game Designer

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

2 Comments on Ludum Dare: Relato de um Designer de Games Iniciante – Por Rafael Endo

  1. Frederico Raiss // 10/01/2015 em 05:34 // Responder

    Muito bacana, sempre é bom ler sobre a experiência de outros.
    Caso alguém se intresse também participei e escrevi sobre tbm: http://pixelofgalaxies.fredericoraiss.com/jelly-maze-72-horas-de-combo/

    😀

    • Kao Tokio // 11/01/2015 em 14:04 // Responder

      Bacana saber da sua experiência, Raiss!
      Parabéns e obrigado pelo acompanhamento das notícias!

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