Crash Override: ativismo online de Zoë Quinn cria a primeira reação positiva pós-GamerGate

Abertura de rede de colaboração entre defensores de oprimidos por assédio e ameaças na rede e nos ambientes profissionais voltados aos games mostra caminhos para tornas as relações mais maduras e respeitosas e dá, de brinde, um tapa na cara da hipocrisia - Por Kao Tokio

A desenvolvedora independente de games norte americana Zoë Quinn lançou esta semana, com seu parceiro Alex Lifschitz, o serviço online Crash Override, que vida oferecer suporte a pessoas vítimas de abuso através da rede, doxing (prática de revelar informações particulares de terceiros na internet) e quaisquer formas de constrangimento virtual. A atitude do casal é a primeira ação positiva a se concretizar após o turbilhão de 2014 com a dimensão alcançada pelo GamerGate (veja no mês de agosto, nesse link), que pela primeira vez explicitou o ódio e a misoginia entre jogadores de entretenimento digital. A própria Zoë Quinn foi vítima de abusos durante o movimento que irrompeu no ano passado, tendo seu website hackeado e dados pessoais publicadas on-line, incluindo o endereço de sua casa e números de telefones de parentes.

Zoe Quinn [Imagem: Reddit}

Zoe Quinn [Imagem: Reddit}

Autointitulado “força-tarefa anti-perseguição”, o Crash Override apresenta-se como um site com formas variadas de apoio a todos que se sentem perseguidos na rede, vítimas da intolerância, incluindo serviços jurídicos na forma de assessoria para a tomada de medidas legais contra os abusos frequentemente observados em muitos games online e ambientes informais e profissionais. “Uma rede de apoio e um grupo de assistência às vítimas e alvos de formas únicas de assédio on-line, composto inteiramente de sobreviventes experientes”, informa a apresentação no site, com especialistas em segurança da informação, profissionais em Relações Públicas, legislação, monitoramento de ameaças e aconselhamentos.

“Nossa rede funciona de forma preventiva e reativa, advertindo alvos [de perseguição na rede] e trabalhando com eles nas situações de assédio para mantê-los seguros e fornecer-lhes os meios para reduzir os danos e reparação, bem como enfraquecem seus opressores”, diz ainda o site. A diferença entre esta realização de Zoë Quinn e seus apoiadores com o movimento “We think Games are for everyone“, idealizado pelo designer Andreas Zecher em novembro passado, está na atuação firme e combativa da organização de voluntários do grupo, que se articulam para amparar as vítimas e rechaçar as atitudes dos opressores buscando resultados práticos e punição, como forma de demonstrar que o assédio não é um crime que possa ficar impune, seja durante uma partida online, seja nas relações corporativas e profissionais no meio produtivo.

Crash Override TwitterNão fosse essa movimentação o bastante, o grupo ainda divulgou que todo atendimento será realizado sem ônus, como declarado em sua conta @CrashOverrideNW no Twitter, que afirma que caso haja necessidade futura de fundos para a continuidade da proposta, o assunto será apresentado ao público. Muitas entidades nacionais poderiam fazer uma breve reflexão e considerar se não seria esse também um caminho para suas ações junto a desenvolvedores independentes e defensores dessa linguagem cultural. Lição final do grupo para o meio “gamer” brasileiro e internacional: “Nós não combatemos perseguição com mais perseguição”. Got it???

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

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