Tamanho é documento? Porque não se deve julgar um game pela duração – Por Bruna Novo

Em novo artigo para o Play'n'Biz, Bruna Novo disserta sobre a importância dada ao tempo médio de duração de um game, independente de outras qualidades como imersão, gráficos, level design etc.

Qual a duração “certa” que um jogo deve ter? Isso existe? Videogame não é mais sobre diversão e sobre ter uma experiência incrível? Quando foi que isso mudou? Criar jogos antigamente costumava ser uma atividade criativa, mas atualmente, me parece que se um jogo não segue as regras do mercado ou não é considerado extremamente inovador, imediatamente o trabalho dos criadores é atirado em uma fogueira.

the-order-1886-castQuando “Metal Gear Solid V: Ground Zeroes” foi lançado, uma polêmica sobre a duração dos jogos tomou conta do cenário de games, me lembro bem que diversos jornalistas consideraram que a brevidade da experiência acabou deixando a desejar, embora o impressionante motor gráfico Fox Engine tenha tornado o jogo um verdadeiro espetáculo, muita gente criticou. A vítima da vez é o “The Order: 1886″ deixou de chamar a atenção pelos gráficos excelentes que recriam uma Londres vitoriana repleta de detalhes ou pelo bom enredo ou pelas divertidas sequências de ação, para se ver envolto em uma nova e inútil discussão sobre o que é certo e errado no mercado de games. Vamos conversar sobre.

Longa duração é sinônimo de qualidade ou de diversão? Se avaliarmos por essa lógica, jogos com 30 ou 40 horas de duração deveriam ser compra certa, porém isso nem sempre acontece. A verdade é que quanto mais longo é o jogo, maior é a taxa de abandono. Títulos como “The Elder Scrolls V: Skyrim”, “League of Legends” e “World of Warcraft” por exemplo, são recheados de conteúdo e estão longe de serem cansativos ou repetitivos. Os jogadores podem gastar tranquilas e agradáveis 60 horas (ou mais) explorando seu vasto universo ou se dedicando a pequenas tarefas que nada tem a ver com a história ou seu enredo principal. E é isso mesmo o que acontece: pesquisas afirmam que de tanto conteúdo, poucos jogadores chegam a completar um jogo.

the_order_1886_Em jogos como “The Elder Scrolls V: Skyrim”, a melhor parte da experiência é explorar os segredos do gigantesco mundo aberto, os detalhes dos cenários, a inteligência artificial. Outros jogos existem para serem completados, senão sua existência não faria o menor sentido e a experiência estaria incompleta – acredito que seja o caso de títulos como “Metal Gear Solid V: Ground Zeroes” e “The Order: 1886″.
“A duração do jogo é importante. Cada jogo precisa ter o tempo que for preciso para contar sua história. Alguns podem ser curtos, alguns podem ser longos. Ainda me lembro da primeira vez que joguei o Modern Warfare, terminei a campanha em cerca de três horas e meia ou quatro horas. E foi divertido porque eles fizeram aquela campanha funcionar e eles tinham outras coisas.” Afirmou o diretor Ru Weerasuriya.

Videogame é a arte de usar artifícios tecnológicos para contar uma história, é a arte de entreter através da interação com um ou mais jogadores, de ensinar e emocionar uma pessoa pela sua experiência com o game. O valor do jogo não depende (ou pelo menos não deveria depender) da sua duração e sim da experiência em que ele traz – o mercado de títulos indie está aí para mostrar inclusive que o valor e a qualidade de um jogo não dependem, sequer dos seus gráficos ou do custo de produção que este jogo teve.

Um bom jogo, pelo menos pra mim, é aquele que envolve e emociona. Acredito que precisamos nos focar muito mais em questões mais profundas e mais importantes como a trilha sonora, o envolvimento, o roteiro e menos em questões como duração e custo. Você gostou do jogo? Então este é um bom jogo, não importa o eu os outros digam.

E na sua opinião, o que faz um jogo ser realmente bom ou ruim? Qual a duração ideal que o game deve ter?

é publicitária do interior do Rio de Janeiro, refugiada em São Paulo e apaixonada por games, cinema, séries, livros e demais nerdices. Já passou pelas desenvolvedoras e publicadoras de jogos Hoplon, Atrativa e Hive Digital Media onde atuou como Social Media e Community Manager.

Sobre Kao Tokio
Editor de conteúdo do site Play'n'Biz - Pesquisador de novas mídias e entretenimento digital como linguagem e expressão da cultura contemporânea

2 Comments on Tamanho é documento? Porque não se deve julgar um game pela duração – Por Bruna Novo

  1. Davi Simom // 05/03/2015 em 18:57 // Responder

    Levando em consideração o hype, tmp de espera e preço dos jogos, eu acho que a duração de um game como The Order tem q ser no mínimo satisfatório. Não que trampo tenha ficado porco e que ele não seja bom, tá lindo, mas deixou desejar.

  2. Gabriel Allan // 13/03/2015 em 17:48 // Responder

    Concordo que o tempo de jogo não deve ser analisado da maneira que ele é feito hoje. Muita gente critica jogos curtos, sempre falam que podiam ter horas extras, mas nunca param pra pensar no que essas horas de jogo a mais adicionariam ao jogo em si. “É necessário que jogo x tenha mais um level? Isso iria melhorar ou piorar o enredo?” Quando o pessoal começar a fazer perguntas assim, podem começar a perguntar “Esse jogo precisava mesmo dessa ultima cutscene? Não seria melhor ele acabar um pouco antes para dar um suspense à trama?”, e então, só ai que o tempo de duração de um jogo vai ser analisado de maneira correta. Aliás, primeira vez que vejo uma redação dessa Bruna e achei show. É bom ver mais mulheres falando disso.

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